Ministra da Cultura participa, em MG, de ato oficial da 10ª Semana de Museus.

A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, disse hoje, durante ato oficial da 10ª Semana de Museus, em Belo Horizonte, que estar em Minas é reviver a história do Brasil. “Minas é um museu a céu aberto e abrir a semana aqui é homenagear esta terra”. A cerimônia marcou as comemorações da Semana de Museus, que continua com diversas atividades até domingo (20) em todas as regiões do País.

No evento, a ministra e o presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC), José do Nascimento Junior, lançaram o cronograma de editais do Programa de Fomento aos Museus Ibram 2012.

“O Brasil tem que investir cada vez mais na memória e os espaços dessa memória são os museus”, disse a ministra, acrescentando que “devemos ter a preocupação de fazer do espaço dos museus um espaço atrativo para os jovens”.

Nascimento Junior informou que o número de visitação aos museus brasileiros nos últimos dois anos teve um aumento de mais de 80%. Sobre a abertura do evento ser em BH, ele lembrou da importância de Minas na área de museus.

Com o tema Museus em um Mundo em Transformação – novos desafios, novas inspirações, a 10ª Semana de Museus realiza 3.420 eventos, inscritos por 1.114 museus e organizações culturais de 513 cidades brasileiras. A Semana de Museus acontece anualmente em comemoração ao Dia Internacional de Museus – celebrado no dia 18 de maio. É promovida pelo Ibram/MinC em parceria com os museus brasileiros.

Leia mais

Você é viciado em Facebook?

17/5/2012 – 09h51

por Enio Rodrigo, do O que eu tenho
O uso do Facebook tem aumentado rapidamente em todo o mundo. E um estudo norueguês é um dos primeiros a propor uma escala para um possível vício em redes sociais.

A pesquisa capitaneada por Cecilie Andreassen, da Universidade de Bergen, e publicada no periódico Psychological Reports, aponta que jovens usuários, pessoas ansiosas e com algum nível de insegurança ou com problemas de interação social são os indivíduos mais propensos a se viciar, principalmente pelo fato de terem dificuldade de se comunicar em situações comuns.

Os traços de personalidade menos associados a este tipo de possível vício são um nível maior de organização pessoal e foco na vida profissional. Estes indivíduos, dizem os pesquisadores, usam as redes sociais como parte integrante de seu trabalho e principalmente para networking.

“Nossa pesquisa indica também que as mulheres têm maior risco de vício em Facebook”, sugere Andreassen que afirma ainda que pessoas extrovertidas não estão livres de se tornarem viciadas no site de relacionamentos. Além disso. problemas no ritmo do sono noturno estão associados com as maiores pontuações propostas pela equipe da pesquisadora.

Seis sinais propostos

O estudo de Andreassen procurou demonstrar que os sintomas de o vício no Facebook se assemelham aos encontrados no vício em drogas e alcoolismo. O chamado – até o momento – Escala Bergen para Vício em Facebook se baseia em seis critérios básicos, sendo que cada item é pontuado de 1 a 5 em escala crescente (1 ponto: muito raramente; 2 pontos: raramente; 3 pontos: algumas vezes; 4 pontos: quase sempre; 5 pontos: constantemente).

• Você passa muito tempo pensando sobre o Facebook ou com vontade de se conectar;

• Você sente uma necessidade cada vez maior em acessar o Facebook.

• Você acessa o Facebook para esquecer problemas pessoais.

• Você já tentou parar de acessar o Facebook, sem sucesso.

• Você se sente incomodado ou ansioso quando é proibido de acessar o Facebook.

• Seu tempo ou constância de acessos ao Facebook já impactou negativamente seus estudos ou trabalho.

De acordo com a equipe responsável pelo desenvolvimento da escala, responder “algumas vezes” ou “quase sempre” para pelo menos quatro dos seis itens acima pode ser indício de um possível vício em Facebook. A escala, lembram os autores, pode facilitar a identificação e estratégias para o problema observado, assim como estimar o impacto do vício em Facebook na população onde a escala for testada.

Proposta não é consenso

A escala proposta pela equipe de Andreassen, entretanto, não é um consenso entre os pesquisadores. Mark Griffiths, da Universidade de Nottingham Trent no Reino Unido, publicou uma crítica à pesquisa no mesmo periódico.

Para o pesquisador, antes de mais nada é preciso avaliar potenciais vícios em redes sociais, independente do Facebook, o que levaria a um estudo de grupo mais amplo de problemas. Griffiths diz que as pessoas tem passado mais tempo online – dentro ou fora do Facebook – com jogos, assistindo filmes e vídeos, procurando por fotos, conversando com amigos, consultando seu profile nas redes sociais, entre outras tantas coisas possíveis. “A escala não faz essa divisão, por exemplo. O quanto a pessoa está realmente usando o Facebook ou está mais preocupada com um jogo dentro da plataforma? São problemas diferentes?”, questiona o pesquisador.

* Publicado originalmente no site O que eu tenho.

Leia mais

Perfídia contra o Código Florestal?

Artigo de José Eli da Veiga
Publicado em maio 16, 2012 por HC
[Valor Econômico] Qual será o limite de desfaçatez dos que sonham com uma lei que legitime os desmatamentos criminosos dos últimos 12 anos e ainda torne desprotegidas as áreas úmidas, os manguezais, as margens dos rios, as encostas e os topos de morro?

Agora se valem de reles blefe para chantagear a presidente Dilma: aumento dos preços alimentares decorrente de diminuição da área cultivada, caso não seja sancionado o projeto da Câmara que revoga o Código Florestal. Essa é a síntese da ameaça publicada na “Folha de São Paulo” de 12/05 pela presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (PSD/TO).

Bazófia cabalmente desmentida pelas projeções do próprio agronegócio: o “Outlook Brasil 2022″, feito em parceria do Departamento de Agronegócio da Fiesp (Deagro) com o Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Ícone).

A área necessária para expandir a produção de grãos até 2022 não chega a 3% do espaço coberto por capim

Até 2022 a produção de grãos terá crescido quase 30%, com aumento da área plantada de quase 16%. Isso significa que será necessário acrescentar uns 6,2 milhões de hectares aos atuais 39,2 milhões, para que nos próximos dez anos a produção de grãos seja 30% maior que a atual.

Segundo a senadora, seria a obtenção desses 6,2 milhões de hectares que impediria a observância de boas normas de conservação. Como se por aqui houvesse um impasse que obrigaria a nação a sacrificar seu meio ambiente em razão da incontornável necessidade de produzir comida barata.

Falando sério: qualquer vestibulando sabe que a expansão da agricultura se faz por incorporação de terras antes destinadas a pastagens. E esses 6,2 milhões de hectares não chegam a 3% da imensa área coberta por capim, que já ultrapassa 211 milhões de hectares.

É intrigante que se recorra a tão pífio estratagema para tentar defender o indefensável: o “maluco” projeto aprovado na Câmara em 25 de abril. O que mais interessa, contudo, é a real motivação da sanha da CNA contra as áreas de preservação permanente (APP), já que em nada dificultam a expansão agrícola.

A ocupação territorial deste país vem sendo feita por um esquema de desmatamento, queimada e capim que atropela todas as precauções intrínsecas ao cuidado de se manter as APP. Se passar o projeto da Câmara, essas terras terão imediato salto de valorização patrimonial, apesar de todos os riscos de erosão dos solos e assoreamento de rios. Se, ao contrário, a sociedade brasileira exigir a reversão de tão trágico malfeito, os valores desses domínios terão que embutir os custos da indispensável recomposição da vegetação nativa em APP. Principalmente no Centro-Oeste e no Norte, mas também no oeste da Bahia e no sul do Maranhão e do Piauí.

Como esses grandes interesses especulativos são menos confessáveis, foi montada uma campanha política para tentar vender a ideia de que “o grande prejudicado é quem se esforça para produzir “alimentos melhores e mais baratos”. E como também não faltam exemplos de verdadeiros agricultores que, por outras razões, enfrentam dificuldades com a legislação em vigor, são eles que servem de biombo para uma gigantesca operação no mercado imobiliário rural.

É isso que permite entender a geografia da votação de 25 de abril. Aprovado com 100% dos votos das bancadas de Tocantins e de Mato Grosso, ou com mais de 85% dos votos das de Rondônia, Goiás e Roraima, o relatório dos especuladores foi rejeitado pelas bancadas de São Paulo (41 a 26) e do Rio de Janeiro (25 a 15).

Apesar de ter sido cavalo da batalha intragovernamental do PMDB contra o PT, o projeto só obteve 274 votos favoráveis, pouco mais de 50%. E menos de 50% pelo critério do número de eleitores que botaram os atuais deputados na Câmara. Pior: essa é a casa com maior déficit democrático, como demonstrou ontem (14/05) Renato Janine Ribeiro em sua coluna no Valor (A10).

Caso típico, portanto, em que a democracia requer veto presidencial. E como ele tende a ser integral (ou quase), multiplicam-se as iniciativas para preencher o vazio. Algumas certamente tentarão corrigir três sérios deslizes cometidos pelo Senado.

Não é possível ignorar que a Lei de Crimes Ambientais (9.605, de 12/02/1998) está regulamentada desde 1999. Posteriores desmatamentos de APP foram crimes dolosos que, se perdoados, configurariam mais indulto que anistia. A escolha de julho de 2008 para demarcar o passivo é uma mesquinha vingança contra a regulamentação específica do governo Lula.

Se houver excepcionalidade para os chamados “pequenos produtores”, não se deve usar a figura do imóvel rural (com área de até tantos módulos), porque não há qualquer correspondência entre propriedade (imóvel) e empreendimento (estabelecimento). Deve prevalecer a Lei da Agricultura Familiar (11.326, de 24/07/2006), cujos critérios impedem que imóvel voltado à especulação fundiária seja tomado como se fosse dedicado à agricultura de pequena escala.

Terceiro, mas não menos importante: é preciso banir pastagem em APP, pois não há pior atentado ao beabá do conhecimento agronômico.

José Eli da Veiga, professor dos programas de pós-graduação do Instituto de Relações Internacionais da USP (IRI/USP) e do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ)

Artigo originalmente publicado no Valor Econômico e socializado pelo ClippingMP.

Leia mais

Ambientalistas pedem a Hollande governo mais verde.

15/5/2012 – 09h36

por A. D. McKenzie, da IPS
Paris, França, 15/5/2012 – Enquanto o presidente eleito da França, François Hollande, se prepara para formar um novo governo, ambientalistas pedem a designação de um ministro da Ecologia com verdadeiro poder para cumprir a promessa de reduzir o uso de energia nuclear e as emissões de carbono. “Queremos um ministro forte, que tenha a energia de dentro de sua pasta”, declarou Marc Mossalgue, porta-voz da Rede de Ação pelo Clima-França, que reúne organizações não governamentais preocupadas com a mudança climática e dedicadas à proteção ambiental.

Mossalgue disse à IPS que as ONGs querem ver um “claro mandato” de Hollande para que seu ministro da Ecologia não seja ofuscado por seus colegas da Indústria e da Economia. “Os desafios exigem que o futuro ministro também seja capaz de lidar de forma efetiva com temas relacionados a moradia, transporte e energia”, acrescentou Mossalgue. A anterior titular da pasta, Nathalie Kosciusko-Morizet, tinha limitada autoridade no governo do presidente Nicolas Sarkozy, que perdeu para Hollande nas eleições do dia 6. As decisões sobre temas de energia ficavam na órbita do Ministério da Indústria, segundo observadores políticos.

“Kosciusko-Morizet nunca pode fazer valer suas convicções. Colocou-se do lado errado, e isso foi muito ruim para ela”, comentou Joël Vormus, administrador de projetos de energia e meio ambiente do Comitê de Liaison Energies Renouvelables, rede não governamental de mais de 200 profissionais em toda a França. “A primeira promessa que queremos de Hollande é a de realizar um debate público sobre as futuras políticas energéticas da França. Nunca foi tema de debates e todas as ONGs estão esperando por isso”, destacou à IPS.

O socialista Hollande anunciou que fechará a central atômica de Fesseheim, a mais antiga do país, com 35 anos, localizada no nordeste e composta por dois reatores. Contudo, essa promessa não se concretizará até o fim de seu mandato, em 2017. Propôs ainda reduzir a quantidade de eletricidade nuclear, que passaria de 75% para 50% do total até 2030. Isto significa fechar metade dos 58 reatores existentes no país. Hollande também declarou que deseja reduzir as emissões de dióxido de carbono em até 30% até 2020 com relação aos níveis de 1990, superando dessa forma a meta da União Europeia, de 20%. “É um objetivo ambicioso, porém realista”, opinou Vormus.

Entretanto, outros especialistas em energia não esperam que Hollande faça muitas transformações no curto prazo, considerando o alto custo que significaria uma mudança para as energias renováveis e o impacto que teria na conta de eletricidade dos consumidores, sobretudo em meio à atual crise econômica.

“Não esperamos muitas mudanças nos próximos cinco anos”, afirmou Roy Cameron, chefe da divisão de desenvolvimento nuclear da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE). O setor atômico “continuará sendo um contribuinte significativo na mescla energética” da França, disse à IPS. Países como este “devem determinar quanta capacidade têm para enfrentar os maiores custos de uma mudança para energias renováveis, e se estão dispostos a impor aumentos nos preços da eletricidade, como está ocorrendo na Alemanha, por exemplo”, acrescentou.

A União Francesa de Eletricidade divulgou um informe em novembro, indicando que, caso se reduza o uso de energia atômica em 50%, serão necessários 60 bilhões de euros extras em investimentos para cobrir a demanda projetada de energia elétrica, enquanto aumentariam em 30% as emissões de carbono. Além disso, o preço da eletricidade dispararia 50%”, ressaltou Cameron. No entanto, as ONGs preferem os custos monetários às “graves e irreversíveis consequências para o homem e o meio ambiente” que poderia ter um acidente em uma usina nuclear, para usar as palavras de Kosciusko-Morizet após o desastre da central japonesa de Fukushima, no Japão, no ano passado.

“Naturalmente, pode-se usar esse argumento, mas o acidente que mais pessoas matou no mundo foi o colapso de uma represa, e não de uma usina nuclear”, argumentou Cameron, referindo-se à explosão, em 1975, de um dique na China. Nessa tragédia morreram 30 mil pessoas e milhares faleceram depois por epidemias derivadas da catástrofe. “Sob qualquer termo de comparação os impactos na saúde sempre são muito menores no setor nuclear do que em outras tecnologias”, assegurou Cameron. Inclusive “contando os custos reais de reassentamento e a perda de renda em caso de um acidente”. Também afirmou que os estudos da OCDE demonstram que os governos e os clientes estão mais preocupados com a “segurança do fornecimento de energia”.

“Os cidadãos não ficam felizes se ligam a luz e a lâmpada não acende, ou se abrem a ducha e a água sai fria”, apontou Cameron à IPS. “A segurança do fornecimento é, em geral, o tema que, em nossos estudos, vimos que motiva mais os governos. A política sobre mudança climática é algo secundário”, afirmou. E acrescentou que o novo governo francês deverá avaliar se pode “assumir uma meta sobre mudança climática sem afetar a segurança do fornecimento e também garantindo acessibilidade”.

Mesmo sendo fechada a usina de Fessenheim, Hollande já aceitou a finalização de um controvertido terceiro reator na usina de Flamanville, noroeste do país, e também expressou sua opinião sobre a construção de outro reator em Penly. O Flamanville 3 EPR (Reator Pressurizado Europeu) gerará inclusive mais energia do que Fessenheim, o que significa que, de todo modo, a França manterá sua capacidade atômica, afirmam analistas.

“O número de reatores continuará sendo o mesmo por enquanto”, disse Pierre Terzian, editor do boletim internacional sobre energia Petrostrategies. “Entretanto, definitivamente, Hollande investirá mais em energias renováveis, provavelmente estimulando a eficiência energética e não autorizando a construção de novas usinas nucleares”, acrescentou. Envolverde/IPS

(IPS)

Leia mais

Código Florestal e pedido de referendo popular.

14/5/2012 – 09h59

por Leonardo Boff*
O momento é de resistência, de denúncia e de exigências de transformações nesse Código Florestal. Agora é o momento da cidadania popular se manifestar. O poder emana do povo. A presidenta e os parlamentares são nossos delegados e nada mais. Temos o direito de buscar o caminho constitucional do referendo popular.

Lamento profundamente que a discussão do Código Florestal tenha sido colocada preferentemente num contexto econômico, de produção de commodities e de mero crescimento econômico.

Isto mostra a cegueira que tomou conta da maioria dos parlamentares e também de setores importantes do governo. Não tomam em devida conta as mudanças ocorridas no sistema Terra e no sistema Vida que levaram ao aquecimento global.

Este é apenas um nome que encobre práticas de devastação de florestas no mundo inteiro e no Brasil, envenenamento dos solos, poluição crescente da atmosfera, diminuição drástica da biodiversidade, aumento acelerado da desertificação e, o que é mais dramático, a escassez progressiva de água potável que atualmente já tem produzido 60 milhões de exilados.

Aquecimento global significa ainda a ocorrência cada vez mais frequente de eventos extremos, que estamos assistindo no mundo inteiro e mesmo em nosso país, com enchentes devastadoras de um lado, estiagens prolongadas de outro e vendavais nunca havidos no Sul do Brasil que produzem grandes prejuízos em casas e plantações destruídas.

A Terra pode viver sem nós e até melhor. Nós não podemos viver sem a Terra. Ela é nossa única casa comum e não temos outra.

A luta é pela vida, pelo futuro da humanidade e pela preservação da Mãe Terra. Vamos sim produzir, mas respeitando o alcance e o limite de cada ecossistema, os ciclos da natureza, e cuidando dos bens e serviços que Mãe Terra gratuita e permanentemente nos dá.

E vamos sim salvar a vida, proteger a Terra e garantir um futuro comum, bom para todos os humanos e para a toda a comunidade de vida, para as plantas, para os animais, para os demais seres da criação.

A vida é chamada para a vida e não para a doença e para morte. Não permitiremos que um Código Florestal mal intencionado ponha em risco nosso futuro e o futuro de nossos filhos, filhas e netos. Queremos que eles nos abençoem por aquilo que tivermos feito de bom para a vida e para a Mãe Terra e não tenham motivos para nos amaldiçoar por aquilo que deixamos de fazer e podíamos ter feito e não fizemos.

O momento é de resistência, de denúncia e de exigências de transformações nesse Código que modificado honrará a vida e alegrará a grande, boa e generosa Mãe Terra. Agora é o momento da cidadania popular se manifestar. O poder emana do povo. A presidenta e os parlamentares são nossos delegados e nada mais. Se não representarem o bem do povo e da nação, de nossas riquezas naturais, de nossas florestas, de nossa fauna e flora, de nossos rios, de nossos solos e de nossa imensa biodiversidade, perderam a legitimidade e o uso do poder público é usurpação. Temos o direito de buscar o caminho constitucional do referendo popular. E aí veremos o que o povo brasileiro quer para si, para a humanidade, para a natureza e para o futuro da Mãe Terra.

* Leonardo Boff é teólogo e escritor.

** Publicado originalmente no site Carta Maior.

Leia mais

USP lança dois livros com temas da Rio+20.

11/5/2012 – 10h22

Títulos sobre governança ambiental internacional, inclusão social, sustentabilidade socioambiental e diversidade serão lançados em 16/5.

O Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (Procam/IEE-USP), o Grupo de Pesquisa em Ciências Ambientais do Instituto de Estudos Avançados (IEA-USP) e a Editora Annablume convidam para o lançamento de dois títulos que tratam de temas a serem discutidos durante a Rio+20.

Trata-se dos livros Governança da Ordem Ambiental Internacional e Inclusão Social, organizado por Wagner Costa Ribeiro, e A Sustentabilidade Socioambiental: Diversidade e Cooperação, organizado por Sônia Maria Flores Gianesella e Pedro Roberto Jacobi.

Os lançamentos vão ocorrer no dia 16 de maio de 2012, das 18h30 às 21h30, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho, em Pinheiros, na capital paulista.

A obra Governança da Ordem Ambiental Internacional e Inclusão Social está organizada em duas partes. Na primeira, cujo título dá nome ao livro, estão textos que abordam a governança ambiental internacional, o papel da economia nesse contexto, os impasses da ordem ambiental internacional, o modo como a governança ambiental institucionalizou-se no Brasil e as questões energéticas.

Na segunda parte do livro, intitulada “Saúde, Pobreza e Mudanças Climáticas”, encontram-se contribuições que discutem as relações entre a economia verde, inclusão social e saúde, formas de combate à pobreza por meio do uso do patrimônio cultural edificado, análise de políticas territoriais associadas à inclusão social, o papel dos catadores no processo da gestão dos resíduos sólidos e os avanços da ciência do clima, bem como as relações entre clima e estoques hídricos.

O conjunto de textos apresentados nessa obra oferece ao leitor uma ampla gama de possibilidades para assuntos centrais no mundo atual.

O livro A Sustentabilidade Socioambiental: Diversidade e Cooperação é o sétimo volume da coletânea de dissertações e teses do Procam/IEE-USP. Seus catorze textos estabelecem um diálogo com a contemporaneidade.

Destaca-se nessa obra a gestão socioambiental participativa, transformações nas lógicas agrícolas e impactos nos ecossistemas, medidas judiciais e controle de áreas contaminadas, questões de direitos do cidadão, negociação, questões de empoderamento, respeito à diversidade e cooperação e educação para a sustentabilidade.

Os temas abordados indicam o desenvolvimento socioambiental como um caminho para atingir a sustentabilidade, caracterizando um retrato da evolução da discussão ambiental.

Serviço

O quê: Lançamento dos livros Governança da Ordem Ambiental Internacional e Inclusão Social e A Sustentabilidade Socioambiental: Diversidade e Cooperação;

Quando: 16 de maio de 2012, das 18h30 às 21h30;

Local: Livraria da Vila da Fradique;

Endereço: Rua Fradique Coutinho, 915, Pinheiros – São Paulo (SP).

* Publicado originalmente no site Instituto Ethos.

(Instituto Ethos)

Leia mais

Rio+20 ainda não tem plano para um futuro sustentável.

10/5/2012 – 10h18

por Thalif Deen, da IPS

Nações Unidas, 10/5/2012 – Duas semanas de negociações a portas fechadas não levaram a um consenso sobre o plano, intitulado O futuro que queremos, para garantir uma presença humana sustentável no planeta, e que deve ser adotado pela Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). Os negociadores, delegados de 193 Estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU), proclamaram um êxito menor: conseguiram reduzir o tamanho do texto do plano de ação que estão negociando, o “rascunho zero do documento final”, de quase 200 para menos de cem páginas.

O documento chegou a somar mais de seis mil páginas de propostas de Estados-membros, organizações internacionais e grupos da sociedade civil. Após as prolongadas conversações, que terminaram no dia 4, o embaixador da Coreia do Sul, Kim Sook, um dos presidentes do comitê preparatório da cúpula, disse que os delegados “manifestaram sua frustração pelo pequeno avanço” para um plano concertado com vistas a adotar um modelo de economia mais amigável com a natureza e um caminho para um futuro sustentável.

Para superar a paralisia, o comitê preparatório colocará novamente sobre a mesa o rascunho zero em uma reunião extraordinária de cinco dias que começará no dia 29, menos de quatro semanas antes do início da Rio+20. Esta seria praticamente a última oportunidade de terminar a redação do plano de ação, embora o comitê preparatório tenha marcada uma reunião final no Rio de Janeiro, entre 13 e 15 de junho.

O texto deve estar pronto para aprovação dos chefes de Estado e de governo que chegarão ao Rio de Janeiro para os três dias de encontro, entre 20 e 22 de junho. Esta será a parte culminante da Conferência Rio+20, que dá seguimento à histórica Cúpula da Terra de 1992, também realizada na cidade do Rio de Janeiro, e que adotou a Agenda 21 e a Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.

“Sejamos francos. O texto que está sendo negociado não tem nada a ver com o concentrado documento político pedido pela Assembleia Geral da ONU”, comentou o secretário-geral da Rio+20, Sha Zukang. O objetivo deveria ser chegar ao Rio com “pelo menos 90% do texto pronto, e deixar apenas os 10% mais difíceis para serem negociados ali nos mais altos níveis políticos”, explicou.

O pronunciamento de uma coalizão internacional de organizações não governamentais alertou que a Rio+20 “parece que não vai agregar quase nada aos esforços mundiais para se conseguir um desenvolvimento sustentável”. O comunicado prossegue afirmando que “muitos governos estão usando ou permitindo que as conversações solapem direitos humanos estabelecidos e princípios já adotados como os de igualdade, precaução e o de que quem contamina paga”.

Antonio Hill, da organização internacional de desenvolvimento Oxfam, afirmou que “depois de quatro meses conversando sobre o rascunho zero, as negociações da Rio+20 continuam em zero”. Há muito pouco, ou nada, do que os governos acordaram que deveria ser alcançado 20 anos depois da Cúpula da Terra, destacou. Além da Oxfam, a coalizão de organizações não governamentais inclui Confederação Sindical Internacional, Development Alternatives Group, Greenpeace, Fórum Brasileiro de Organizações Não Governamentais e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, e a também brasileira Vitae Civilis.

Um dos principais pontos contenciosos é o conceito de economia verde e sua “relevância e seu significado para o Sul global, as preocupações sobre como associar o verde à criação de meios de subsistência sustentáveis”, detalhou à IPS a diretora de programas da Development Alternatives Group, Zeenat Niazi. Esta entidade centra seu trabalho no progresso de comunidades pobres da Índia.

Outras áreas de desacordo são a igualdade, o consumo e a produção sustentáveis no Norte; a justiça social, especialmente vinculada à extração de recursos em países menos adiantados, e o desenvolvimento; a transferência de tecnologia e o comércio, enumerou Nizai. Também há discordância sobre a adoção de objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) e como estes darão resposta à “integração dos três pilares da sustentabilidade (econômico, social e ambiental), em lugar de ser uma simples lista de itens”, acrescentou.

“E que tipo de compromisso devem assumir as nações, e qual grau de disposição devem demonstrar, e como deve ser a criação de capacidades nacionais para facilitar a inclusão dos ODS no planejamento do desenvolvimento e das prioridades de cada país?”, questionou Niazi. Perguntada se mais uma semana de conversações poderia representar avanços significativos, ela respondeu à IPS que “poderia, desde que sejam criados espaços para incluir as vozes da sociedade civil e integrá-las do mesmo modo ao documento final, além de traçar um mapa do caminho inclusivo, para os planos de ação posteriores à Rio+20”.

Em um comunicado, a ONU descreveu vários dos assuntos polêmicos que impedem o acordo. Alguns países industrializados, segundo o comunicado, abraçaram a economia verde como um novo mapa do caminho para o desenvolvimento sustentável, enquanto muitos países em desenvolvimento são mais cautelosos e afirmam que cada nação deve escolher seu próprio caminho para um futuro sustentável e que a economia verde não deveria levar ao protecionismo verde nem limitar o crescimento e a erradicação da pobreza.

Outros países e atores principais (grupos que representam a sociedade desde a ciência e as empresas, até os indígenas e as mulheres) manifestaram preocupação pela implementação e prestação de contas, destacando que vários compromissos de reuniões mundiais anteriores, como a ajuda oficial ao desenvolvimento, ainda continuam sem serem cumpridas, acrescenta o texto da ONU.

Porém, praticamente todos os países mostram vontade de acordo em vários pontos, entre eles a necessidade geral de reconhecer e de atuar diante dos desafios globais e nacionais. “Está amplamente reconhecido que é preciso ação para responder às necessidades de uma população mundial crescente que continua consumindo e produzindo de maneira insustentável, o que resulta em elevadas emissões de carbono, degradação dos ecossistemas naturais e aumento da desigualdade de renda”, afirma o comunicado das Nações Unidas.

Também há uma ampla admissão de que são necessários melhores indicadores para medir o progresso humano além do produto interno bruto. Os países também examinaram a ideia de novos ODS, um conjunto de pontos de referência para guiá-los rumo a resultados concretos em um prazo determinado, como o acesso a energia sustentável e água potável para todos, destaca o texto. Porém, alguns países diferem em sua visão sobre o que deveria ser incluído, ou não, nesses objetivos, bem como no processo formal de decidir como e quando devem ser definidas, finalizadas e adotadas essas metas. Envolverde/IPS

(IPS)

Leia mais

A expansão econômica do Sul é sustentável?

08/5/2012 – 10h58

por Yilmaz Akyuz*

Genebra, Suíça, maio/2012 (IPS/South Centre) – O crescimento das economias em desenvolvimento se acelerou no novo milênio. Enquanto nas décadas de 1980 e 1990 cresceram em média pouco mais do que as economias avançadas, desde os primeiros anos deste século até a crise global, a diferença subiu para cinco pontos.

Esta diferença aumentou ainda mais entre 2008 e 2011 após o colapso das economias avançadas. A aceleração se observa em todas as regiões em desenvolvimento, que crescem mais rapidamente do que no passado. A notável exceção é a China, que cresceu no novo milênio, em geral, no mesmo (embora rápido) ritmo dos anos 1990.

Por isso, é costume se dizer que a economia do Sul está se “desacoplando” da do Norte. Contudo, a principal dúvida é se ocorre uma virada duradoura na tendência do crescimento do Sul com relação ao Norte. Um olhar mais atento mostra que o crescimento do Sul se deve em boa parte a excepcionais e insustentáveis condições econômicas, bem como à melhoria em seus próprios fundamentos.

Antes de a crise financeira atingir, em 2008, o crédito e o consumo, e fizesse explodir as bolhas imobiliárias, sobretudo nos Estados Unidos, havia se formado um clima global altamente favorável para as economias em desenvolvimento no comércio e no investimento, nos fluxos de capital e nos preços das matérias-primas.

Pelo menos um terço do crescimento pré-crise da China se deveu às exportações, principalmente para as economias avançadas. A proporção é ainda maior para as pequenas economias exportadoras asiáticas.

Há uma estreita correlação entre expansão imobiliária e déficits em conta corrente, tanto nos Estados Unidos quanto em outros países que sofreram transtornos financeiros em seguida.

Desde o começo deste século, as taxas de juros historicamente baixas e a rápida expansão da liquidez nos Estados Unidos, na Europa e no Japão desencadearam uma busca por rendimentos e o consequente auge nos fluxos de capital para as economias em desenvolvimento.

Isso foi complementado por uma onda de remessas de trabalhadores, que chegam a mais de 25% do produto interno bruto em alguns países menores, e a mais de 3% na Índia. Os preços das matérias-primas também subiram fortemente, em grande parte graças ao rápido crescimento da China, empurrado pelas exportações para as economias avançadas.

Com a queda do mercado imobiliário, o ambiente econômico internacional se deteriorou em todas as áreas que antes haviam apoiado a expansão nos países em desenvolvimento.

Os fluxos de capital e os preços das matérias-primas retrocederam e as economias avançadas se contraíram. No entanto, as economias em desenvolvimento mostraram resiliência e reagiram rapidamente, especialmente onde uma forte resposta anticíclica foi possível graças às reservas e às posições fiscais favoráveis acumuladas durante o período anterior.

O impulso para o crescimento em algumas destacadas economias do Sul se voltou para a demanda interna, mesmo em países que antes tinham uma economia orientada para a exportação.

O crescimento baseado no investimento deu um estímulo ainda maior aos preços já altos das matérias-primas, anteriores à crise.

Os fluxos de capital também se recuperaram graças às drásticas baixas nas taxas de juros e à expansão monetária das economias avançadas em resposta à crise. A afluência de capitais foi mais do que suficiente para enfrentar déficits crescentes em vários dos principais países em desenvolvimento, incluindo Índia, Brasil, Turquia e África do Sul.

Por várias razões, é improvável que se sustente a meio termo o excepcional crescimento gozado pelo Sul nos últimos dez anos. O retorno às muito favoráveis condições prevalentes antes da crise global é impedido pelos rígidos ajustes que agora enfrentam as economias avançadas.

Certamente as tentativas para voltar ao “aqui não houve nada”, impulsionando a “locomotiva” norte-americana mediante crescentes déficits, desestabilizariam seriamente o comércio internacional e os sistemas monetários.

Por outro lado, o crescimento pós-crise baseado na demanda doméstica não poderá se manter por muito tempo. Já há sinais de desaceleração.

A estratégia da China de enfrentar a queda das exportações para as economias avançadas com elevação dos investimentos não pode funcionar indefinidamente.

Falta uma política voltada para o crescimento que se apoie no consumo interno, o que implica aumentar o consumo privado, que atualmente é de apenas 35% do PIB. Isto é, optar por uma importante redistribuição da renda.

Mesmo uma desaceleração moderada do crescimento na China, de 7%, poderia causar o fim do auge das matérias-primas e ameaçar as perspectivas de crescimento de uma série de países latino-americanos e africanos.

A maioria das economias em desenvolvimento necessita rever seus modelos de desenvolvimento para sustentar o ritmo de crescimento da última década. As economias exportadoras asiáticas devem reduzir sua dependência das exportações para as economias avançadas mediante a expansão de seus mercados internos e regionais.

Os exportadores de matérias-primas precisam reduzir sua dependência dos fluxos de capital e de sua renda com matérias-primas. Estas, que foram as duas chaves para seu crescimento, estão além do controle nacional. Por isto, é necessária uma saída genuína do fundamentalismo do mercado e do liberalismo, tanto nas políticas macroeconômicas como nas estruturais. Envolverde/IPS

* Yilmaz Akyuz é economista-chefe do South Centre, com sede em Genebra (www.southcentre.org).

(IPS)

Leia mais

Eleições gregas e francesas pressagiam mudanças na economia.

Inter Press Service – Reportagens
08/5/2012 – 09h42

por Julio Godoy, da IPS
Berlim, Alemanha, 8/5/2012 – O fracasso eleitoral dos governos da França e da Grécia faz prever o fim dos duros programas de ajustes nesses países e no resto da Europa, e parece marcar uma nova era de políticas econômicas, sociais e de investimentos para restaurar o crescimento e o emprego. Na França, o candidato do Partido Socialista, François Hollande, defensor de estratégias de emprego e crescimento econômico promovidas pelo governo, superou nas eleições do dia 6 o presidente Nicolas Sarkozy, frequentemente considerado o paladino dos programas de austeridade implantados na Europa.

Na Grécia, os eleitores também castigaram, no mesmo dia, os dois partidos tradicionais, Nova Democracia, que obteve apenas 19% dos votos, e o Movimento Socialista Pan-Helênico (Pasok), que conseguiu 13,4%. Juntos, os dois partidos impuseram um severo plano de ajuste que aprofundou a crise de cinco anos e fez disparar o desemprego e a pobreza. Os cidadãos gregos se voltaram aos antes minoritários Coalizão de Esquerda Radical, que teve 17% dos votos, Partido Comunista, com 8,4%, e Nova Esquerda, com 6%.

O partido neonazista Aurora Dourada obteve uma proporção menor de votos, mas os 7% obtidos representam um apoio importante. Antonis Samaras, da Nova Democracia, tem poucos dias para formar o governo e disse que conversará com todos, pois não tem votos suficientes para constituir maioria com seu ex-aliado, o Pasok, salvo com o Aurora Dourada.

Em especial, a vitória de Hollande na França é vista como um ponto de inflexão no modelo econômico da Europa. Durante seu discurso após a apuração, afirmou que sua vitória é vista na Europa como “um alívio, uma esperança, a confirmação de que a austeridade não é um chamado do destino” para a região. Também disse que sua missão será “dar à Europa uma dimensão de crescimento, de emprego e prosperidade” para todos.

Hollande, que vai liderar nos próximos cinco anos a segunda economia da Europa em importância, depois da Alemanha, em seu discurso também anunciou que, nas próximas semanas e na cúpula da União Europeia (UE), no dia 24 de junho, defenderá junto ao governo alemão que as reduções no gasto público, longe de contribuir para resolver a crise de dívida soberana, agravaram o problema das finanças públicas em quase todos os países do bloco.

Nos últimos dois anos, Alemanha e as autoridades da UE, junto com Sarkozy, desempenharam um papel de pivô, desenhando programas de austeridade impostos aos governos de Grécia, Itália, Portugal, Irlanda e Espanha. Caracterizados pelas drásticas reduções no gasto público, nas pensões, nos programas de bem-estar social e nos salários do funcionalismo público, essa estratégia só fez agravar a crise econômica, prolongar a recessão, piorar a pobreza e, inclusive, aumentar a mortalidade entre as pessoas idosas.

O índice do produto interno bruto acumulado desde 2007 caiu 17,3% na Grécia, mais de 7% na Irlanda, 6,7% na Itália, quase 6% em Portugal e 4% na Espanha. Hollande insistiu que em seu governo se concentrará na “justiça social e em restaurar a esperança dos jovens”. Na França, o desemprego alcança 25% dos jovens em idade de trabalhar, enquanto na Espanha esse índice chega a quase 50% nessa faixa etária, uma situação que afeta também outros países do sul do continente.

Esses dados, somados à retórica contra as medidas de ajuste que caracterizaram as campanhas eleitorais na França e na Grécia, suavizaram, de fato, as declarações a favor da Alemanha, da UE e inclusive do Banco Central Europeu. A chefe de governo alemã, Angela Merkel, declarou, na semana passada, que prevê “uma reforma do crescimento” para os programas de austeridade que seu governo promoveu de forma consistente nos últimos dois anos.

Paralelamente, o comissário europeu para Assuntos Econômicos e Financeiros, Olli Rehn, pediu aos governos que aprovem o novo programa de investimentos públicos para “estimular o crescimento na região”. Em um discurso feito no dia 5 em Bruxelas, Rehn chegou a dizer que os programas de ajuste fiscal da União Europeia não são uma “camisa de força” e que dão um “espaço considerável ao julgamento” dos governos nacionais para implantarem políticas de crescimento.

Rehn reconheceu que muitos países da zona do euro e membros da UE sofrem uma “severa recessão e um desemprego crescente”. Em certas circunstâncias, investimentos públicos adicionais nos países com excedentes, como a Alemanha, “podem ser benéficos para reduzir os desequilíbrios macroeconômicos” dentro da UE. Inclusive o presidente do Banco Central Europeu, o italiano Mario Draghi, no dia 4, pediu urgência para que o crescimento “seja novamente colocado no centro da agenda” europeia. É um chamado extraordinário, já que a instituição se concentra unicamente em conseguir uma inflação extremamente baixa, e ignorou em reiteradas oportunidades o desemprego e os déficits de crescimento na zona do euro.

Os partidos europeus de esquerda aplaudem as mudanças. Para Sigmar Gabriel, líder do Partido Social Democrata alemão, o triunfo de Hollande significa que “a Europa tomará uma nova orientação econômica, enfatizando o crescimento e o emprego. São excelentes notícias”. Em entrevista coletiva ontem, condenou “os cortes de Angela Merkel, que afundaram a Europa em uma crise profunda. O que a Europa necessita agora com urgência é uma política coordenada, um plano coletivo contra o desemprego entre jovens”. O resultado das eleições da Grécia mostrou que os programas de austeridade necessitam de “medidas sociais para amortizar o impacto na sociedade”, destacou Gabriel. Esse país precisa de “mais tempo para resolver” seu problema de dívida soberana e a crise econômica, ressaltou.

Por sua vez, o secretário-geral do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Alfredo Pérez Rubalcaba, qualificou o triunfo de Hollande como uma “grande esperança, o começo de uma nova era”. A vice-secretária-geral do PSOE, Elena Valenciano, concordou e ressaltou que Hollande encarna uma “nova União Europeia, solidária e com direitos iguais para todos”. Com Hollande, a França será um “muro de proteção contra as políticas neoliberais que nos afundaram na crise”, concluiu. Envolverde/IPS

(IPS)

Leia mais

Hollande tomará posse.

PARIS, 7 Mai (Reuters) – o socialista François Hollande vai tomar posse como novo presidente da França no dia 15 de maio, disse nesta segunda-feira uma autoridade do atual governo do presidente Nicolas Sarkozy.
Hollande, que venceu o segundo turno da eleição presidencial no domingo com 51,6 por cento dos votos, vai acompanhar Sarkozy numa cerimônia anual na terça-feira, um feriado nacional, para comemorar o fim da 2a Guerra Mundial, acrescentou o funcionário do governo Sarkozy.
(Reportagem de Yann Le Guernigou)

Leia mais